Nosso primeiro encontro

Recentemente eu e uma grande amiga da faculdade nos encontramos depois de 9 anos, e trocando experiências descobrimos uma paixão em comum: escrever, e um desejo mútuo: gestar um blog.
Bem, o detalhe é que eu havia acabado de parir (um filho de verdade), e ainda estava vivenciando o puerpério, e, foi assim, no meio do turbilhão de emoções que essa fase pós-parto envolve, que demos à luz ao SOU TOD@ SER.
  
Nesse primeiro post, o de estréia, convido todos vocês a sentarem comigo dentro de um grande círculo, o círculo sagrado que une a todos nós. Imaginem que podemos olhar uns nos olhos dos outros, conectar nossos corações, e nos entregar para a força que nos conduziu até aqui e a esse momento.





Como podem ter notado, algo que está muito latente na minha vida é a maternidade, mesmo tendo vivido o parto dos meus sonhos, não consegui construir um relato de parto. A impressão que tenho, é de que nada será suficiente pra expressar a vivência de se tornar um canal para receber um novo Ser.
Acredito que as mães que foram respeitadas durante esse momento, que tiveram seus desejos ouvidos e suas necessidades acolhidas, devem saber o que estou tentando dizer.

Como o universo não é apenas luz, mas sim a soma de luz e sombra, sendo ambas equivalentes, a chegada da maternidade com toda a sua luz e esplendor veio pra mim junto com um pacote de emoções densas e pesadas, a serem desenterradas e revividas com intensidade.
Eu me vi sendo arremessada pra dentro de um enorme abismo de solidão, passei alguns meses perdida na escuridão,  sem conseguir reconhecer quem eu havia me tornado. Era uma mistura de amor, um amor surreal pelo meu filho, uma alegria pela graça de poder gerar, parir e ter em meus braços tamanha perfeição, e ao mesmo tempo,  me via mergulhada num mar de dor incomensurável, preenchido de abandono,  tristeza  e um vazio profundo.

Qualquer árvore que queira tocar os céus precisa ter raízes tão profundas a ponto de tocar os infernos. Jung

Já havia lido sobre o encontro com a própria sombra, bem comentado pela autora Laura Gutman, mas existe uma diferença gigante entre ler (usando apenas o mental) e vivenciar. E essa vivência vem sendo sentida literalmente com todas as minhas vísceras.


Nosso mundo psíquico e espiritual também é formado por uma parte luminosa e uma parte escura, que mesmo que não vejamos, não quer dizer que não exista. Esta é a tarefa de cada ser humano: atravessar a vida terrena em busca da própria sombra, para levá-la à luz e trilhar veredas de cura. (Gutman, 2013, p 23)

Aos poucos uma luz foi surgindo, tomei consciência da minha necessidade de pertencer a um grupo, uma comunidade, era um forte anseio de “fazer parte” do mundo novamente. Descobri que já não sou mais aquela de antes, e também não sei quem me tornei, perdi a antiga identidade, pois já não me serve mais, e estou aos poucos construindo uma nova.

E é bem no meio disso tudo, enquanto escrevo esse primeiro texto, que me sinto entrando no mundo novamente, no grande círculo, e conforme vou escrevendo, vou encontrando pouco a pouco, um pouco mais de mim mesma. As letras, palavras e frases que compõem o meu novo Ser vão se juntando, vou tomando forma, e dando forma ao texto.

Nesse fluxo de nascimentos, o do meu filho, das amizades, do blog, de mim mesma, renasce junto a saudade do ser humano, de encontrar gente, interagir com outros campos de energia, relacionar, trocar, dar e receber verdadeiramente!

É por isso que eu estou aqui, porque gostaria de compartilhar com vocês um pouco dos caminhos, reflexões e descobertas que venho galgando. E desejo que nesse espaço que formamos, vocês se sintam abertos para comentar, discordar e compartilhar também suas experiências.

E assim podemos caminhar tod@s junt@s!

Dani

GUTMAN, Laura. A Maternidade: e o encontro com a própria sombra. 4ª ed. Rio de Janeiro: BestSeller, 2013. 

4 comentários:

  1. Linda mamãe.. ler esse texto é como reconectar com toda o incio encantador de nossos encontros!!! aqueles assim, olhos nos olhos!! Cá e Dani juntas.. amei!!!!

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  2. Conheço o blog há tanto tempo e não tinha lido esse texto!
    Descreveu o que senti após o parto da Maria Júlia! Essa mistura que parece ser tão distinta, essa alegria misturada à tristeza...
    E agora, tantos anos depois, td tem parecido mais claro, estou entendendo...
    Gratidão!!

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  3. Conheço o blog há tanto tempo e não tinha lido esse texto!
    Descreveu o que senti após o parto da Maria Júlia! Essa mistura que parece ser tão distinta, essa alegria misturada à tristeza...
    E agora, tantos anos depois, td tem parecido mais claro, estou entendendo...
    Gratidão!!

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