O Sentido das Perguntas e o Valor das Respostas

Texto de Laura Gutman traduzido por Camila Ramos


Todos queremos viver melhor. Por isso nos questionamos quando a vida não se apresenta como gostaríamos.  Fazer-nos perguntas é muito bom. O problema é que esperamos ter respostas que se encaixam com as fantasias infantis de satisfação plena. Quem não quer viver num mundo perfeito com príncipes encantados que se ajoelham aos nossos pés ou princesas com longos cabelos dourados que nos sorri da sua carruagem de cristal? Para que durmamos na visualização de um conto, servem. Mas para viver de forma adulta a vida, não. Porque somos os adultos quem construímos nossos cenários, eles não “vêm” por acaso. Somos responsáveis por aquilo que geramos. Por isso, na nossa vida sempre se manifesta aquilo que nos corresponde.

Concretamente, às vezes sofremos ou temos problemas e queremos solucioná-los. Buscamos respostas confiáveis. Então delegamos a algumas pessoas certos supostos saberes: antigamente eram os bruxos e sacerdotes, hoje são os médicos, os “psi- alguma coisa” ou algum líder espiritual. Acreditamos que eles sabem mais que a gente. Mas isso não é bem verdade, mesmo assim sabem – os verdadeiros sábios – fazer boas perguntas.

Por isso os convido a não considerar as respostas como se fossem grandes verdades reveladas, e sim como possibilidade de pensar com irreverência, diversão, liberdade, insensatez e ironia.  Atrevamos-nos a sair do caminho convencional (das convenções), a deixar os lugares comuns, a tirar a máscara, a tocar o medo de abandonar aquilo que é seguro, provado e irremovível. Qual o problema?! Definitivamente todos queremos nos sentir bem. Não usemos as respostas como opiniões confiáveis e sim como portas que se abrem para pensar, refletir, sentir, perceber ou criar novas dimensões. Abandonemos os caminhos desgastados e obsoletos das idéias comuns. Olhemos além do nosso próprio umbigo. Renovemos com cada inspiração a totalidade do nosso pequeno universo pessoal. Compreendamos que somos apenas um suspiro, um bocado de amor e que desse amor depende o bem-estar de todo ser vivo.

Vamos balançando, nos equilibrando entre sofrimentos superficiais e vivencias de grande consciência espiritual. Esse ritmo entre o incomensuravelmente belo ao estupidamente pequeno nos faz humanos.

Texto original: http://www.lauragutman.com.ar/el-sentido-de-las-preguntas-y-el-valor-de-las-respuestas



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